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Um ciclo que se encerra, mas deixa sementes



Por Leslie Beatrice Diorio


Chegamos ao fim de uma jornada de dois meses de trocas e reflexões intensas por aqui. Por isso, gostaria de começar agradecendo imensamente a cada um de vocês pela audiência e pelo engajamento nesses diálogos fundamentais para a construção de um futuro mais justo. 

Iniciamos nossa trajetória resgatando os ensinamentos de Paulo Freire para defender que a comunicação para emergência climática não pode ser um mero "depósito" de informações, mas sim uma estratégia de letramento e libertação que gera conscientização e autonomia. Essa base teórica nos guiou para questionar as narrativas corporativas, aprendendo a olhar para o retrato real das empresas, além dos relatórios oficiais. Foi exatamente isso que eu quis mostrar para vocês no texto Confie desconfiando, onde apontei o contraste entre as promessas de sustentabilidade da mineradora Alcoa e as denúncias de impactos socioambientais feitas pelo coletivo Tapajós de Fato.

Seguindo essa trilha crítica, analisamos no texto Onde o green card encontra o greenwahsing,  como o greenwashing se manifesta em escala global, usando o exemplo da Copa do Mundo de 2026, que caminha para ser a mais poluente da história enquanto utiliza o brilho do esporte para mascarar parcerias com grandes emissoras de gases de efeito estufa. Também refletimos no texto Quando a mídia tenta explicar o Super El Niño sobre a responsabilidade da mídia brasileira na cobertura deste fenômeno, identificando um "negacionismo por omissão" quando veículos regionais tratam tragédias climáticas apenas como fatalidades da natureza, ignorando a matriz energética fóssil e as raízes estruturais do problema. Foi um exercício necessário de leitura crítica para entender que, na emergência climática, a informação que falta é tão importante quanto a que sobra.

Para os jovens profissionais que buscam atuar nesta área, discutimos na coluna O que o mercado espera do profissional que atua em sustentabilidade que o sucesso depende do equilíbrio do propósito transformador com o rigor técnico dos dados e frameworks de reporte ESG, vendo as interconexões de um sistema em vez de apenas partes isoladas. Encerramos nossa caminhada celebrando a comunicação horizontal e dialógica de projetos como o Corre de Quebrada e a Imprensa Jovem, que transformam o "climatiquês" em linguagem acessível e dão protagonismo a quem vive os impactos no chão do território. 

Espero que as reflexões que fizemos nestes últimos meses tenham sido tão boas para vocês quanto foram para mim. Ao tirar um momento todas as semanas para escrever sobre tantos assuntos importantes, que fazem parte do dia a dia do meu trabalho, resgatou um dos meus propósitos quando optei pela transição de carreira: o de comunicar para educar. Hoje me despeço com a convicção de que unir comunicação e educação realmente é a saída para que a sociedade compreenda a urgência climática que estamos vivendo e para que a informação deixe de ser um dado técnico e passe a ser uma ferramenta de conquista de direitos. 




Sobre a autora

Mestre em Ciências da Comunicação pela Escola de Comunicações e Artes da USP com a dissertação "O profissional de comunicação como educador: o diálogo entre os coletivos de emergência climática e a sociedade brasileira". Este é meu título mais atual, conquistado em dezembro de 2025, resultado de um trabalho de pesquisa com comunicadores de coletivos de emergência climática do Brasil. Tenho defendido há um tempo - desde quando trabalhava em grandes organizações - o papel educativo da comunicação. Encontrei no tema emergência climática uma janela de oportunidade para aprofundar esta percepção. Também sou pós-graduada em Gestão da Comunicação Empresarial pela Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (ABERJE), em Administração de Marketing pela Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP) e graduada em Comunicação Social com ênfase em Jornalismo pelo Instituto Metodista de Ensino Superior, atual Universidade Metodista de São Paulo. Entre 2002 e 2016 fui coordenadora de comunicação nas multinacionais Johnson & Johnson e Avon. Atualmente trabalho unindo as vertentes comunicação e educação na frente de educação do Grupo Report, como facilitadora e instrutora de cursos relacionados a sustentabilidade.

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