O que o mercado espera do profissional que atua com sustentabilidade
- YCL info
- 30 de jul.
- 4 min de leitura

Prepare-se porque o tema desta semana foi feito para quem está interessado em trabalhar com sustentabilidade. E já quero começar com uma boa notícia: o cenário atual é de oportunidade única
Por Leslie Beatrice Diorio
Se você é aluno do curso da YCL, que capacita lideranças jovens para trabalhar com o cenário de mudanças climáticas, certamente posso cravar que há grandes chances de que já passou pela sua cabeça – ou ainda está passando – atuar com sustentabilidade. Por isso, trago alguns dados interessantes que encontrei fazendo uma rápida pesquisa. Você sabia que profissionais com "habilidades verdes" têm uma taxa de contratação 59% maior no Brasil do que os demais trabalhadores. Foi o que um relatório do Linkedin mostrou recentemente ao analisar a taxa de empregabilidade de 47 países.
No entanto, existe um desafio: a demanda por esses talentos está crescendo quase duas vezes mais rápido do que a oferta de profissionais capacitados. E o que define, de fato, esse profissional? O mercado deixou de buscar apenas habilidades individuais para valorizar competências que permitam uma visão sistêmica e o engajamento contínuo com diversos atores. Segundo a literatura acadêmica e casos práticos de formação, as cinco dimensões essenciais para quem deseja liderar nesta área são: relacionamento com stakeholders, ética e valores, autoconsciência, pensamento sistêmico e capacidade de inovação para a mudança.
Embora a liderança e a visão estratégica sejam fundamentais, há uma tendência crescente que você não pode ignorar: a necessidade de competências funcionais ligadas ao reporte de dados. Com as empresas correndo para atingir metas de Net Zero até 2050, saber como traduzir ações de sustentabilidade em números e relatórios tornou-se um diferencial crítico. E aqui quero abrir um parêntese porque foi exatamente por este caminho que eu decidi me enveredar quando, em 2020, fiz a minha transição de carreira da área de comunicação para a de sustentabilidade.
Hoje, o mercado exige que o profissional conheça a fundo os frameworks e standards internacionais. No Reino Unido, por exemplo, o domínio do GHG Protocol (para inventários de gases de efeito estufa) já aparece entre as cinco habilidades verdes mais procuradas. No Brasil, habilidades voltadas para a mitigação de riscos e estratégia de sustentabilidade estão no topo das prioridades.
Eu, por exemplo, trabalho na frente de educação do Grupo Report que é responsável por desenvolver cursos certificados, trilhas educacionais e capacitações em sustentabilidade e ESG. Posso dizer que a demanda por conhecimento sobre estes temas e, principalmente, sobre como integrá-los na estratégia de negócio vem crescendo muito nos últimos anos. Vale lembrar que um dos grandes responsáveis por isso é o mercado financeiro que vem exigindo cada vez mais que as empresas prestem contas sobre seus impactos no meio ambiente e sociedade e, principalmente, sobre os riscos e oportunidades que as mudanças climáticas trazem para o valor de mercado da empresa.
Saber elaborar um relatório de sustentabilidade não é apenas um exercício de preencher tabelas. Pode-se dizer que é uma competência de tradução. Você precisa dar sentido a questões sociais e ambientais complexas e explicá-las para diferentes públicos. Conhecer as normas de reporte de dados ambientais, sociais e de governança (ESG) permite que você atue como a ponte entre a operação técnica e a gestão estratégica do negócio.
Para os jovens profissionais, o recado é claro: não foquem apenas nos títulos, mas no desenvolvimento de habilidades práticas. O mercado busca quem saiba lidar com a complexidade e a ambiguidade, vendo as interconexões de um sistema em vez de apenas partes isoladas. Aquela história de que sustentabilidade é coisa apenas de uma área não é real. Se você trabalha em uma empresa, todos os departamentos precisam estar cientes do que é e porque a empresa precisa ser transparente com seus públicos de interesse. Eu costumo dizer que todos os profissionais das mais diversas áreas precisam ter competências relacionadas à sustentabilidade. Só assim todos vão compreender que tudo está conectado.
O sucesso na carreira de sustentabilidade hoje depende de equilibrar esse propósito transformador com o rigor técnico dos dados. Se você domina a arte de reportar impactos e, ao mesmo tempo, possui a visão sistêmica para propor mudanças, você não apenas terá mais chances de contratação, mas será o agente de transformação que a emergência climática exige.
Sobre a autora
Mestre em Ciências da Comunicação pela Escola de Comunicações e Artes da USP com a dissertação "O profissional de comunicação como educador: o diálogo entre os coletivos de emergência climática e a sociedade brasileira". Este é meu título mais atual, conquistado em dezembro de 2025, resultado de um trabalho de pesquisa com comunicadores de coletivos de emergência climática do Brasil. Tenho defendido há um tempo - desde quando trabalhava em grandes organizações - o papel educativo da comunicação. Encontrei no tema emergência climática uma janela de oportunidade para aprofundar esta percepção. Também sou pós-graduada em Gestão da Comunicação Empresarial pela Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (ABERJE), em Administração de Marketing pela Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP) e graduada em Comunicação Social com ênfase em Jornalismo pelo Instituto Metodista de Ensino Superior, atual Universidade Metodista de São Paulo. Entre 2002 e 2016 fui coordenadora de comunicação nas multinacionais Johnson & Johnson e Avon. Atualmente trabalho unindo as vertentes comunicação e educação na frente de educação do Grupo Report, como facilitadora e instrutora de cursos relacionados a sustentabilidade.

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