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Série El Niño 2026 - O que está acontecendo no Pacífico?

31 de ago.
4 min de leitura

Este é o segundo post de uma série sobre o El Niño 2026. Acompanhe nas próximas semanas outros textos aqui no blog e vídeos nas redes sociais para conhecer melhor o fenômeno que tem movimentado a mídia e já mostra consequências.


Texto escrito por Camila Billerbeck*


Como vimos na primeira coluna da série sobre o El Niño 2026, ele é um fenômeno natural, que se forma quando há um aquecimento acima da média na superfície das águas do Oceano Pacífico. Os cientistas monitoram diversos índices de temperatura das águas e condições meteorológicas antes de declarar oficialmente um fenômeno como certo: que vai ocorrer de fato.

Em abril de 2026 a WMO - World Meteorological Organization (Organização Meteorológica Mundial) publicou um comunicado informando que os modelos climáticos estavam indicando que a tendência de aquecimento das águas do pacífico iria continuar, e que o El Niño que se estabeleceria dalí pra frente seria um evento “forte”, ou seja, com um aquecimento das temperaturas da superfície do Pacífico entre 1,5°C e 2,0 °C. No entanto, o próprio porta-voz da organização pediu cautela ao interpretar essa informação, reconhecendo que naquele período (abril) era muito cedo para ter certeza das previsões dos modelos.

Até então havia muita especulação sobre se o fenômeno iria realmente se estabelecer.

Apenas em junho de 2026 a NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos) confirmou o estabelecimento oficial do fenômeno El Niño, indicando que o evento já estaria em formação com tendência a persistir nos próximos meses. Essa declaração ocorreu meses após observação de desvios positivos (aquecimento) nas temperaturas do pacífico nas regiões de monitoramento, em conjunto com índices meteorológicos. 

Figura 1 - Monitoramento que mostra o aumento relativo de temperatura da água nas regiões Nino 4, Nino 3.4, Nino 3 e Nino1+2. Fonte: Boletim n°2 do Painel do El Niño 2026/2027 (INPE).


Uma vez confirmadas as condições de El Niño discute-se qual a sua possível intensidade.

O Centro de Previsões Climáticas (CPC) da NOAA emite periodicamente um boletim projetando a provável força do El Niño. A atualização mais recente (até a publicação desse texto) é de agosto de 2026. Esse boletim apresenta a probabilidade de cada categoria de intensidade do El Niño (fraco, moderado, forte e muito forte) para nove trimestres móveis, do período de JAS/2026 (julho-agosto-setembro) até MAM/2027 (março-abril-maio), com base nos limiares do índice RONI (Relative Oceanic Niño Index) monitorado na região Niño 3.4.


Figura 2 - Boletim de projeção da provável força do El Niño do trimestre de JAS/2026 (julho-agosto-setembro) até MAM/2027 (março-abril-maio). Fonte: NOAA.


Segundo essa projeção, o pico de intensidade se concentra no trimestre OND/2026 (outubro-novembro-dezembro), com 95% de probabilidade de o evento atingir a categoria "muito forte", ou seja, com um aquecimento das temperaturas da superfície do Pacífico superiores a 2,0 °C, seguido por um enfraquecimento gradual a partir do início de 2027. Diante desse cenário, a própria NOAA alerta que para esse mesmo trimestre de OND/2026, existe 69% de chance de um evento historicamente significativo, ou seja, que superaria a força de eventos anteriores de El Niño monitorados desde 1950 (com aquecimento médio da ordem de 2,5°C ou mais para um valor trimestral do RONI).


Figura 3 - Infográfico - Ciclos de El Niño e La Niña desde a década de 1950. Fonte: Revista Pesquisa FAPESP.


É importante frisar, no entanto, que esse boletim é atualizado mensalmente, e os números podem sofrer mudanças de uma edição para a outra, como já aconteceu entre julho e agosto deste ano. Por isso, esses percentuais não devem ser lidos como uma previsão e sim como um retrato mais atual de um cenário em constante atualização. A própria NOAA reforça que eventos mais fortes não significam necessariamente impactos climáticos e meteorológicos maiores, embora tenham altas chances de vir acompanhados de impactos conhecidos. 

Pensando nisso, o INPE em parceria com diversas instituições montaram o Painel El Niño 2026-2027, para divulgar informações sobre o monitoramento das condições associadas ao fenômeno e disponibilizar atualizações periódicas das informações técnicas e das previsões especialmente para o Brasil, de forma a subsidiar ações de prevenção, preparação e gestão de riscos. 

Na próxima coluna vamos entender um pouco melhor alguns dos impactos e alterações conhecidas, que acompanham períodos de El Niño.


Referências


INPE; INMET; ANA; CEMADEN; SGB; SEDEC. Painel El Niño 2026-2027: Boletim Mensal n. 1, junho de 2026. Brasília: INPE, 2026a. Disponível em: https://www.gov.br/inpe/pt-br/assuntos/ultimas-noticias/painel-el-nino-2026-2027-divulga-primeiro-boletim-mensal-sobre-o-monitoramento-do-fenomeno-no-brasil/PainelElNioJunho26.pdf

INPE; INMET; ANA; CEMADEN; SGB; SEDEC; CENSIPAM. Painel El Niño 2026-2027: Boletim Mensal n. 2, julho de 2026. Brasília: INPE, 2026b. Disponível em: https://www.gov.br/inpe/pt-br/assuntos/ultimas-noticias/painel-el-nino-2026-2027-segundo-boletim-sobre-o-monitoramento-do-fenomeno-no-brasil-e-publicado/PainelElNino2EdioFinal.pdf.

INPE. O que precisamos saber sobre o El Niño e seus impactos para o Brasil? Publicado em 15 maio 2026, atualizado em 26 jun. 2026. Disponível em: https://www.gov.br/inpe/pt-br/assuntos/ultimas-noticias/o-que-precisamos-saber-sobre-o-el-nino-e-seus-impactos-para-o-brasil.

LARA, G. A chegada do El Niño (infográfico). Revista Pesquisa FAPESP, São Paulo, ed. 330, jul. 2023. Disponível em: https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2023/07/042-045_el-nino_330.pdf.

NATIONAL OCEANIC AND ATMOSPHERIC ADMINISTRATION (NOAA). CLIMATE PREDICTION CENTER. El Niño/Southern Oscillation (ENSO) Diagnostic Discussion, 13 ago. 2026. Disponível em: https://www.cpc.ncep.noaa.gov/products/analysis_monitoring/enso_disc_aug2026/ensodisc.shtml.

NATIONAL OCEANIC AND ATMOSPHERIC ADMINISTRATION (NOAA). CLIMATE PREDICTION CENTER. Official NOAA CPC ENSO Strength Probabilities, ago. 2026. Disponível em: https://cpc.ncep.noaa.gov/products/analysis_monitoring/enso/roni/archives/?type=strengths&month=08&year=2026.

WORLD METEOROLOGICAL ORGANIZATION (WMO). Likelihood increases of El Niño. Genebra: WMO, 2026. Disponível em: https://wmo.int/media/news/wmo-likelihood-increases-of-el-nino.




*Camila Billerbeck é Engenheira Civil pela Escola de Engenharia de São Carlos, USP (2014). Mestre em Engenharia de recursos hídricos pelo departamento de Engenharia Hidráulica e Saneamento da Escola Politécnica (USP). Engenheira hidróloga,com experiência em projetos técnicos e consultoria em engenharia hidráulica e hidrologia para setores como infraestrutura rodoviária e mineração, e fellow da YCL. Para se conectar com a autora, acesse: https://www.linkedin.com/in/camilabillerbeck/ 



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