Quando sociedade civil, Estado e universidade se unem para adaptar Pernambuco às mudanças climáticas.

Texto de Sabrinna Leticia Moraes Rodrigues*
O cronômetro dos impactos climáticos já começou a correr. Mais do que uma ameaça futura, as mudanças no clima já fazem parte do cotidiano da população, que enfrenta desafios que exigem políticas públicas mais ágeis e soluções capazes de considerar a realidade e as especificidades de cada território. Diante desse cenário, cresce também a necessidade de participação: quem vive essas mudanças quer ser ouvido e fazer parte das decisões sobre os caminhos para enfrentá-las.
É a partir dessa perspectiva que Maria Vitória Andrade, geógrafa e Assistente Técnica da Secretaria de Meio Ambiente, Sustentabilidade e de Fernando de Noronha de Pernambuco (SEMAS-PE), atua na construção de respostas para a adaptação climática no estado. No órgão, ela contribui para a implementação de políticas públicas voltadas à mitigação e adaptação às mudanças climáticas e acompanha a construção do PEAR-PE, o Plano Estadual de Adaptação e Resiliência de Pernambuco.
O plano parte de uma premissa importante: as mudanças climáticas não afetam todos os territórios da mesma maneira. Por isso, as estratégias de adaptação também precisam considerar as particularidades de cada região.

Ouvir para adaptar
Entre março e maio de 2026, foram realizadas 12 oficinas participativas, uma em cada território, como parte da iniciativa “Ouvir para Adaptar”. Durante três meses, a equipe percorreu as doze regiões de desenvolvimento de Pernambuco para ouvir a população, conhecer iniciativas já existentes e entender quais medidas podem responder melhor aos desafios de cada região.
As discussões foram organizadas em cinco setores prioritários: recursos hídricos; agropecuária e segurança alimentar; biodiversidade e ecossistemas; saúde humana; e cidades, infraestrutura e zona costeira.
Um dos exemplos levantados durante as oficinas veio da agricultura. Em determinados territórios, produtores apontaram que períodos de plantio definidos anteriormente já não correspondem às condições climáticas atuais. A partir dessas experiências, surgem propostas para adaptar políticas e práticas à nova realidade.
Para Maria Vitória, ouvir quem conhece o território é fundamental para aproximar o conhecimento científico da realidade vivida pela população.
Governança para transformar propostas em ações
O PEAR-PE também envolve diferentes áreas do governo. Por meio de uma portaria, foi criado um Comitê de Apoio com 21 órgãos estaduais, com caráter consultivo, para entender o que cada órgão já desenvolve, como pode contribuir e quais lacunas ainda precisam ser enfrentadas.
Essa articulação é essencial porque questões como agricultura, infraestrutura, biodiversidade e fiscalização ambiental dependem de diferentes órgãos e exigem maior integração entre as áreas.
Ciência e território
A construção do PEAR-PE é uma parceria técnico-científica da SEMAS-PE com a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). A universidade contribui no desenvolvimento metodológico, análise dos dados climáticos, elaboração das medidas de adaptação e consolidação da versão final do PEAR-PE.
No atual momento, agosto de 2026, o projeto está na etapa de análise das propostas levantadas nas oficinas participativas. Com rodadas de discussão com o Comitê de Apoio e a definição de medidas de curto, médio e longo prazo. A previsão é que o plano seja entregue em dezembro de 2026.
O desafio é fazer com que as propostas construídas com os territórios se transformem em ações concretas. Para Maria Vitória, esse é o próximo passo: fazer com que o planejamento climático avance para a implementação.
Um olhar para o futuro
Maria Vitória também destacou a importância do compromisso das diferentes instâncias de governança para que as propostas construídas ao longo do PEAR-PE não fiquem apenas no papel. Dentro da estrutura do poder público, o engajamento das lideranças e das pessoas que ocupam posições estratégicas é fundamental para que as pautas avancem, ganhem prioridade e sejam efetivamente colocadas em prática.
Para ela, mais importante do que construir propostas de adaptação é encontrar espaço para que elas sejam implementadas. Por isso, olhando para 2027, sua principal expectativa é ver pelo menos uma das iniciativas do plano saindo do papel, independentemente de serem ações de curto, médio ou longo prazo. A ideia é plantar uma semente para que o trabalho não seja esquecido depois de sua elaboração.
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*Texto escrito por Sabrinna Leticia Moraes Rodrigues – Publicitária e profissional de marketing, com experiência em comunicação, estratégia digital, gestão de projetos e eventos. Atua como Brand & Content Strategist voluntária na YCL e na construção de estratégias de comunicação que conectam marcas, pessoas e iniciativas, unindo criatividade, planejamento e propósito.
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