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E se cuidar da água também fosse uma forma de lutar por justiça social? Veja o que diz Rebeca Silva

há 2 dias
4 min de leitura

Texto de Sabrinna Leticia Moraes Rodrigues*

É a partir dessa pergunta que podemos começar a entender a trajetória de Rebeca Cristine Ferreira da Silva, profissional da área ambiental que transformou sua relação com o território em uma carreira que conecta recursos hídricos, impacto social, cultura e participação comunitária. 


Nascida em Bauru/SP, Rebeca conciliava o trabalho com o curso técnico em Administração e um cursinho pré-vestibular público. Em 2013, fruto dessa dedicação, ingressou na ESALQ-USP para cursar Gestão Ambiental, dando início a uma nova etapa de sua trajetória em Piracicaba/SP. Mas sua história por lá não ficou restrita à sala de aula. Entre o Grupo PET, grupos de estudo, iniciação científica, organização de eventos e projetos de extensão e cultura, ela foi descobrindo diferentes formas de colocar seus conhecimentos em prática. 


Mas foi uma experiência no Pará que mudou o rumo dessa história. Em 2015, Rebeca participou do Projeto Rondon, na Operação Itacaiúnas, atuando em um território vulnerabilizado ao lado de uma equipe multidisciplinar. O contato com aquela realidade despertou algo que ela levaria para os anos seguintes: a vontade de trabalhar não apenas com o meio ambiente, mas com as pessoas que vivem nele. 


Hoje, há cerca de oito anos, Rebeca trabalha com gestão descentralizada e participativa de recursos hídricos atuando no suporte operacional de um Comitê de Bacias Hidrográficas e suas Câmaras Técnicas. Ao longo desse caminho, passou de estagiária a assessora e acompanhou discussões sobre temas como águas subterrâneas, saneamento e escassez hídrica, tendo se especializado em Gerenciamento de Recursos Hídricos pela EEP/FUMEP. Pode parecer um trabalho técnico, mas, no fundo, ele responde a uma questão muito simples: como garantir que a água continue disponível e chegando às pessoas que mais precisam? 


Essa pergunta também levou Rebeca a se aproximar dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. A convite do Núcleo ODS da Esalq, participou da Jornada de Contribuições Caipiras para a Agenda 2030, na construção de uma agenda local e ficou à frente das discussões relacionadas ao ODS 6, que trata de água potável e saneamento, em um grupo de trabalho que atuou conjuntamente com o ODS 14 (Vida na Água), adaptado para as águas continentais. E foi nesse processo que ela percebeu ainda mais claramente que falar de água é falar também de desigualdade. 


Porque o acesso ao saneamento não é igual para todo mundo. Áreas rurais, comunidades isoladas e regiões periféricas enfrentam desafios específicos e as soluções precisam levar essas realidades em consideração. Foi olhando para essas diferenças que Rebeca também se envolveu com discussões sobre saneamento rural e com o território do Tanquã, conhecido como o “mini Pantanal Paulista”.


No Tanquã, a questão ambiental ganha rosto e nome. A região reúne comunidades de pescadores, turismo e uma rica biodiversidade, mas também já enfrentou impactos ambientais que afetaram diretamente quem depende daquele território. Para Rebeca, experiências como essa mostram que quando um rio é contaminado, o problema não termina na água: ele chega à renda, à alimentação, à cultura e ao futuro das comunidades. 

E existe ainda outra dimensão importante em sua trajetória: a cultura negra. Como voluntária na diretoria da Sociedade Beneficente 13 de Maio, também conhecida como Clube 13 de Maio, em Piracicaba, Rebeca participa de uma instituição histórica de valorização da cultura e da resistência negra. Também integra a organização do Julho das Pretas na cidade, iniciativa que promove debates e ações voltadas às mulheres negras, seus direitos e suas formas de organização. 


No meio de tudo isso, Rebeca encontrou uma maneira muito própria de atuar: transitando entre o conhecimento técnico e a participação social. Entre uma reunião sobre recursos hídricos e uma atividade cultural, entre a Agenda 2030 e as histórias de uma comunidade, ela mostra que sustentabilidade não acontece isoladamente, ela depende de pessoas, territórios e escolhas coletivas. Atualmente, segue ampliando seus estudos e sua atuação em temas que atravessam sua trajetória e seus interesses, como racismo ambiental, sustentabilidade, bem viver, justiça climática, raça e gênero. 


Sua trajetória é um lembrete de que trabalhar com meio ambiente significa entender quem vive naquele território, quem depende dos seus recursos e quem precisa ser ouvido quando as decisões são tomadas. E talvez seja justamente aí que esteja a força da história de Rebeca, que é transformar um tema que muitas vezes parece distante (como gestão de recursos hídricos, saneamento ou Agenda 2030) em algo muito concreto que é a vida das pessoas.


Conheça outros fellows que têm o que dizer! 


*Texto escrito por Sabrinna Leticia Moraes Rodrigues – Publicitária e profissional de marketing, com experiência em comunicação, estratégia digital, gestão de projetos e eventos. Atua como Brand & Content Strategist voluntária na YCL e na construção de estratégias de comunicação que conectam marcas, pessoas e iniciativas, unindo criatividade, planejamento e propósito.



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