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O futuro do planeta já existe, e ele também é indígena!

A sexta aula do curso da YCL  trouxe uma mudança profunda de perspectiva: sair da lógica tradicional sobre meio ambiente e reconhecer que muitas das respostas para a crise climática já existem, e vêm dos povos indígenas.


Com a participação de Mel Mura, indígena do povo Mura, a aula foi um convite à escuta ativa, à reflexão crítica e, principalmente, à revisão de tudo o que entendemos por desenvolvimento, território e sustentabilidade.


Um convite à escuta e ao respeito


A aula começou com uma contextualização da equipe organizadora, reforçando a importância dos encontros e da construção coletiva de conhecimento ao longo do curso. Quando Mel Mura iniciou sua fala, o tom já indicava que aquele seria um momento diferente. Com um pedido de licença aos territórios e aos ancestrais, ela trouxe uma dimensão que vai além do conteúdo técnico: espiritual, cultural e histórico.



Desde o início, ficou evidente que não se tratava apenas de aprender, mas de repensar.


Desenvolvimento: território, identidade e invisibilização

Um dos primeiros pontos abordados foi uma provocação direta: o Brasil é, em sua essência, um território indígena, mas ainda insiste em negar essa realidade. A partir disso, Mel trouxe dados e reflexões sobre a diversidade dos povos indígenas no país, destacando sua presença em diferentes territórios, inclusive nos centros urbanos.


O conceito central da aula foi o de corpo-território. Mais do que um espaço físico, o território é vivido no corpo, na cultura, na língua e na memória. Ele se desloca com as pessoas, rompe fronteiras geográficas e reafirma identidades mesmo fora das aldeias.


Essa ideia desconstrói a visão limitada de que o indígena só existe em um espaço específico, mostrando que a identidade indígena é contínua, viva e em movimento. Outro ponto essencial foi o papel das línguas indígenas. Cada língua carrega uma forma única de interpretar o mundo, e sua perda representa o desaparecimento de conhecimentos, histórias e visões inteiras de existência.


Saberes ancestrais como tecnologia de futuro

Ao longo da aula, Mel apresentou exemplos concretos que reforçam uma ideia poderosa: os saberes indígenas são, na prática, tecnologias avançadas de conservação.


Entre os destaques:


  • Manejo sustentável do solo, como a terra preta de índio

  • Sistemas agrícolas baseados em ciclos naturais

  • Uso consciente e integrado da biodiversidade

  • Transformação de recursos naturais em soluções diversas


Essas práticas mostram que a relação com a natureza não é de exploração, mas de equilíbrio e continuidade.


Mudança de perspectiva

A aula trouxe reflexões profundas, especialmente para quem atua ou se interessa por sustentabilidade. Um dos principais aprendizados foi entender que o conhecimento não está apenas na ciência tradicional, ele também está nos saberes ancestrais, muitas vezes ignorados ou desvalorizados.


Outro ponto importante foi a discussão sobre invisibilidade e apagamento histórico. Mesmo sendo protagonistas na preservação ambiental, os povos indígenas ainda enfrentam barreiras estruturais que dificultam o reconhecimento de seus direitos e saberes. Além disso, a aula reforça uma ideia urgente: enfrentar a crise climática exige ampliar o olhar e incluir outras formas de conhecimento.


Reconhecer para transformar

A aula foi finalizada com uma mensagem clara e necessária: os povos indígenas não fazem parte apenas do passado, eles estão no presente e são fundamentais para o futuro.


Mel Mura deixou uma provocação que resume o encontro:


Se queremos soluções reais para os desafios ambientais, precisamos reconhecer quem sempre soube cuidar da natureza.



Essa aula não foi apenas informativa, foi transformadora.


Ela nos lembra que sustentabilidade não é apenas inovação tecnológica ou estratégia de mercado. É também memória, cultura, respeito e escuta. E, talvez, o maior aprendizado seja este: o futuro que buscamos já existe, só ainda não aprendemos a valorizar.


Saiba mais sobre a palestrante



Mel Mura


Indígena do povo Mura de Manaus, Amazonas, é artesã, bacharel em Desenvolvimento Rural e Segurança Alimentar. Graduanda em Antropologia pela UNILA, dedica-se ao debate étnico racial,  valorização dos saberes tradicionais e a soberania alimentar dos povos originários.




Texto escrito por Tássio Vinicius Publicitário e participante da 14ª edição do curso da Youth Climate Leaders – Mudanças Climáticas: panorama, desafios e oportunidades para jovens profissionais. Atua com comunicação de causas, buscando fortalecer iniciativas que geram impacto social e ambiental.


Conecte-se com o autor no LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/tassiovinicius/ 


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