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A crise climática já começou: como adaptar cidades e territórios para sobreviver ao futuro?


A Aula 18 do curso da YCL trouxe uma discussão urgente e necessária sobre adaptação às mudanças climáticas. Em um encontro marcado por reflexões profundas, exemplos práticos e debates sobre justiça climática, os palestrantes Marcella Melo e Rodrigo Corradi mostraram como cidades, governos e territórios precisam se preparar para impactos que já fazem parte da nossa realidade.


Mais do que falar sobre cenários futuros, a aula deixou evidente que a crise climática já está acontecendo e que a adaptação será uma das principais ferramentas para reduzir vulnerabilidades e proteger vidas.


O começo da aula: entender a diferença entre adaptação e mitigação

A aula começou com Marcella Melo contextualizando os principais conceitos relacionados às mudanças climáticas, especialmente a diferença entre mitigação e adaptação.


Enquanto a mitigação busca reduzir as emissões de gases de efeito estufa, a adaptação aparece como o processo de ajuste das cidades e dos territórios diante dos impactos climáticos que já são inevitáveis.


Logo nas primeiras falas, Marcella chamou atenção para a frequência cada vez maior de eventos extremos, como enchentes, secas e ondas de calor. A reflexão trouxe um ponto central para toda a aula: os impactos climáticos não pertencem mais ao futuro.



Eventos extremos e cidades vulneráveis

Ao longo da apresentação, Marcella aprofundou a discussão sobre vulnerabilidade climática e justiça social. Um dos pontos mais marcantes foi a reflexão sobre como os impactos ambientais atingem de forma desigual diferentes territórios e populações.


A palestrante destacou que comunidades periféricas, populações vulneráveis e regiões com menos infraestrutura acabam sendo as mais afetadas pelos eventos extremos.


A discussão mostrou que adaptação climática também é uma pauta social. Falar sobre enchentes, falta de água ou calor extremo significa discutir acesso à infraestrutura, planejamento urbano e desigualdade.


Outro momento importante da aula foi quando Marcella apresentou exemplos internacionais de adaptação climática. Experiências desenvolvidas em países europeus mostraram soluções voltadas para reutilização de água, jardins de chuva e planejamento urbano resiliente.



Em uma das falas mais marcantes da aula, Marcella destacou:


“Se não tiver água, vamos ter que dar um jeito.”


A frase sintetiza a urgência de transformar modelos urbanos e criar estratégias práticas para enfrentar os desafios climáticos do presente.


Soluções baseadas na natureza e adaptação urbana

Outro tema central da aula foi a importância das soluções baseadas na natureza como estratégia de adaptação climática.


Marcella apresentou exemplos de parques alagáveis, áreas verdes urbanas e sistemas naturais de drenagem capazes de reduzir impactos de enchentes e melhorar a qualidade ambiental das cidades.


Além disso, a aula trouxe o conceito de “laboratórios vivos”, iniciativas que envolvem universidades, governos, setor privado e comunidades na construção coletiva de soluções para os territórios.


A discussão reforçou que adaptação climática não depende apenas de tecnologia ou grandes obras de infraestrutura, mas também da participação social e da integração entre diferentes setores.


Rodrigo Corradi e o papel das cidades na agenda climática

Na segunda parte da aula, Rodrigo Corradi trouxe a perspectiva dos governos locais e das cidades dentro da agenda climática global.


Representando o ICLEI América do Sul, Rodrigo apresentou como municípios e governos subnacionais têm papel estratégico na implementação de políticas públicas voltadas para sustentabilidade, resiliência e adaptação climática.



Sua fala trouxe uma reflexão importante sobre desigualdade urbana e vulnerabilidade social. Rodrigo destacou que os impactos climáticos não atingem todos da mesma forma e que as populações mais vulneráveis convivem primeiro, e de maneira mais intensa, com os efeitos da crise climática.


Ao discutir os territórios brasileiros, Rodrigo reforçou que é nas cidades que a desigualdade e os impactos ambientais se tornam mais visíveis.


Outro ponto forte da sua fala foi a importância de transformar planejamento em implementação concreta. Mais do que criar estratégias climáticas no papel, é necessário desenvolver ações reais capazes de melhorar a vida das pessoas nos territórios.



Adaptação climática também é justiça social

Nos momentos finais da aula, ficou evidente que adaptação climática é um tema que ultrapassa a discussão ambiental.


Ao longo do encontro, Marcella Melo e Rodrigo Corradi mostraram como mudanças climáticas, desigualdade social, planejamento urbano e qualidade de vida estão profundamente conectados.


A aula terminou reforçando que pensar em cidades resilientes significa também pensar em proteção social, acesso à infraestrutura e construção coletiva de soluções.


Mais do que um debate técnico, a Aula 18 deixou uma provocação importante: como construir territórios capazes de enfrentar os desafios climáticos sem deixar ninguém para trás?


Em um cenário de eventos extremos cada vez mais frequentes, a adaptação deixa de ser uma possibilidade futura para se tornar uma necessidade urgente do presente.


Saiba mais sobre os palestrantes


Marcella Melo

É bióloga e doutora em Mudanças Climáticas e Sustentabilidade pelo Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, com foco em questões socioambientais e políticas públicas de adaptação e justiça climática. Possui experiência com projetos europeus tendo sua mais recente participação no projeto Horizonte 2020 B-WaterSmart, onde atuou como pesquisadora social, colaborando com o engajamento de stakeholders e análise de barreiras e oportunidades para soluções inteligentes da água em seis regiões da Europa. Marcella também trabalhou com projetos voltados à juventude e à justiça climática na América Latina e Brasil e atualmente é coordenadora de cursos e projetos na Youth Climate Leaders (YCL) Brasil, atuando na formação de jovens para o mercado climático. Sua trajetória integra pesquisa aplicada, educação socioambiental e facilitação de redes, com ênfase na promoção de soluções inclusivas para a adaptação às mudanças do clima.



Rodrigo Corradi

Secretário Executivo Adjunto do ICLEI América do Sul desde abril de 2021. Faz parte da organização desde junho de 2020, tendo anteriormente atuado como Gerente de Relações Institucionais e Advocacy. É graduado em Direito, Direito Internacional e Estudos Jurídicos pela Universidade Federal do Rio Grande (FURG) e mestre em Relações Internacionais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Possui forte experiência em cooperação internacional de governos locais e resiliência local. Por 13 anos fez parte da Diretoria de Relações Internacionais da Prefeitura de Porto Alegre (Brasil) e foi seu Diretor Executivo de 2013 a 2020. Nesse período, de 2017 a 2020, ocupou o cargo de Diretor de Resiliência da cidade implementando a Estratégia de Resiliência de Porto Alegre.





Texto escrito por Tássio Vinicius Publicitário e participante da 14ª edição do curso da Youth Climate Leaders – Mudanças Climáticas: panorama, desafios e oportunidades para jovens profissionais. Atua com comunicação de causas, buscando fortalecer iniciativas que geram impacto social e ambiental.


Conecte-se com o autor no LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/tassiovinicius/ 


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