Desenvolvimento pessoal que impacta o coletivo
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- há 13 minutos
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Texto escrito por Tácila Matos*

Como um profissional pode desenvolver suas habilidades para ser um importante agente no combate das mudanças climáticas? Onde é possível trabalhar para combater o negacionismo climático? E como se preparar para atuar com o clima?
Reflexões importantes sobre esses temas aconteceram na aula sobre “Liderança Climática e Futuro do Trabalho” da 15° edição do curso YCL “Mudanças climáticas e carreiras profissionais”, que foi ministrada por Valcléia dos Santos Lima e Julia Garïm.
Para Julia Garïm, consultora de desenvolvimento organizacional e de inovação social, a tendência é que setores públicos e empresas criem cada vez mais vagas de trabalho com temáticas ligadas ao clima. Segundo ela, esse tema é visto como algo pertinente no momento e não mais como uma iniciativa para o futuro, e que as oportunidades disponíveis já vão além das cidades do Rio de Janeiro e São Paulo.
A especialista destaca a necessidade do profissional estar em constante desenvolvimento. Para isso, deve se dedicar à construção de conhecimentos, como na participação de cursos sobre mudanças climáticas, e também ter foco em experiências práticas, como atividades voluntárias e trabalhos já inseridos dentro desse mercado. Isso permite o contato com informações mais aprofundadas e a construção de um portfólio que agrega vivência e que atrai oportunidades. Como declarou o escritor francês Antoine de Saint-Exupêry, citado por Julia, "O futuro não é um lugar para onde estamos indo, mas um lugar que estamos criando. O caminho para ele não é encontrado, mas construído, e o ato de fazê-lo muda tanto o realizador quanto o destino.”
A superintendente geral adjunta da Fundação Amazônia Sustentável (FAS), Valcléia Lima, afirmou que um profissional deve compreender as particularidades do ofício buscado, pois quando tratamos de clima lidamos com realidades desafiadoras.
A gestora com mais de 30 anos de experiência em projetos socioambientais na região amazônica ressaltou que muitas comunidades, sejam ribeirinhas, indígenas ou quilombolas, necessitam de assistência para enfrentar problemas antigos, mas também os novos, que incluem adaptação às mudanças climáticas e as consequências na vida das pessoas.
Rios contaminados pela mineração, falta de água potável e baixa escolaridade básica são alguns dos problemas enfrentados. Para ela, a sociedade tem uma dívida com essas populações tradicionais, já que são as responsáveis por aplicar técnicas de preservação ambiental em seus territórios e proteger o ecossistema local.
Valcleia ressalta que o profissional de clima deve entender a responsabilidade que carrega ao assumir seu trabalho, independentemente da função, já que o cenário é carregado de problemas históricos e de complexa resolução. ONGs, prefeituras ou empresas financiadoras devem estar próximas para fortalecer uma rede em prol do desenvolvimento humano e conservação ambiental.
As duas palestrantes deixaram um recado muito claro: nosso bem estar agora e nos próximos anos depende de profissionais técnicos e líderes, capazes de transformar nossa conjuntura e promover o desenvolvimento coletivo.
*Texto escrito por Tácila Matos - Jornalista em formação pela Universidade Federal do Acre (UFAC) e participante da 15ª edição do curso da Youth Climate Leaders – Mudanças Climáticas e carreiras profissionais. Atua na pesquisa e cobertura ambiental e climática no contexto Amazônico. Conecte-se com a autora no LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/t%C3%A1cila-matos-921955356/
Saiba mais sobre as palestrantes:
![]() | Valcléia dos Santos Lima É uma das principais lideranças socioambientais da Amazônia brasileira. Nascida em uma comunidade quilombola no interior do Pará, construiu uma trajetória marcada pela superação, pela defesa dos povos tradicionais e pelo compromisso com o desenvolvimento sustentável. Graduada em Gestão Pública, com especialização em Inovação e Difusão Tecnológica, possui mais de 30 anos de experiência em projetos de impacto socioambiental. Iniciou sua atuação no Projeto Saúde e Alegria e, na Fundação Amazonas Sustentável (FAS), liderou a gestão do Programa Bolsa Floresta, referência em conservação ambiental e fortalecimento das comunidades amazônicas. Atualmente, é Superintendente Geral Adjunta da FAS, onde atua na promoção de políticas e iniciativas voltadas à conservação da biodiversidade, ao fortalecimento de mulheres, jovens, povos indígenas, ribeirinhos e quilombolas, conciliando desenvolvimento econômico sustentável, inclusão social e direitos humanos. Também integra importantes espaços de governança, como Conselheira Fiscal da Associação Brasileira das Mulheres da Energia (ABME), membro do Conselho Consultivo da Rede de Mulheres das Águas e da Floresta (REMAF) e da Comissão Nacional de Políticas Educacionais para as Juventudes. Sua história reflete a força de uma mulher quilombola que transformou sua origem em propósito, tornando-se uma referência nacional em liderança, justiça socioambiental e desenvolvimento sustentável na Amazônia. |
![]() | Julia Garïm Julia Garïm é consultora em desenvolvimento organizacional e inovação social, atuando de forma autônoma com empresas, ONGs e redes do ecossistema de impacto no desenho de programas de carreira, cultura organizacional e formação de lideranças. É mestranda em Gestão de Organizações Contemporâneas na Fundação Dom Cabral, onde pesquisa trabalho remoto internacional e identidade entre profissionais brasileiros em organizações do Norte Global.É formada em Relações Internacionais (ESPM-Sul) e tem MBA em Mercados Criativos e Cenários de Inovação (Unisinos). Multiplicadora do Sistema B e alumni Global Shaper. |




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