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Diário de Bordo #10 | Aula Pecuária do Curso YCL 2023.1

Fala, Rede YCL! Estamos começando a nossa 9ª aula do curso e o tema de hoje é Pecuária. Começamos a aula pensando na primeira palavra que vem à nossa mente quando pensamos em pecuária e emergência climática (ex: desmatamento, metano, vacas, desperdício). Em seguida falamos sobre a produção pecuária e suas implicações para a emergência climática.


O panorama geral das emissões da pecuária no Brasil perpassa principalmente pelos pontos do desmatamento, campo e setor privado, políticas públicas, mudança do consumo e da dieta alimentar. Como podemos e devemos atuar? O Brasil é um dos 5 maiores emissores de gases de efeito estufa, principalmente por conta do setor agrícola. Dentro do setor agropecuário, cerca de 63,7% das emissões de GEE vem da fermentação entérica que ocorre nos animais bovinos. A pecuária é uma atividade presente em todos os estados do Brasil, sendo que os municípios mais emissores de GEE estão na região norte e centro oeste. Os municípios que mais emitem GEE no Brasil são os que detém os maiores rebanhos bovinos. No Brasil tem mais cabeça de gado que pessoas!!!


Dentro da pecuária, as emissões de GEE se devem principalmente ao gado de corte (80,9%), gado de leite (10,7%), fertilizantes sintéticos, uso de calcário e demais fontes. O Brasil é o 5º maior emissor de metano do planeta, sendo o 2º maior emissor de metano pelo setor agropecuário, atrás somente da Índia. O Brasil emite sozinho 5,5% do metano do planeta. O setor agropecuário é o que mais emite GEE mas também é um dos mais vulneráveis às mudanças climáticas. É um setor chave nesse contexto, podendo também ser um sequestrador de carbono, quando manejado de forma correta.


O desmatamento causado pelo sistema alimentar tem impactos enormes ao meio ambiente. 90% do desmatamento é impulsionado pela agropecuária, 62% das espécies avaliadas pela IUCN são ameaçadas pela agropecuária e 35% dos GEE são emitidos pelo sistema alimentar. O combate ao desmatamento passa, principalmente, pela sua eliminação, criação de políticas públicas e fortalecimento dos órgãos de fiscalização. A produção no campo precisa de maior fortalecimento do diálogo com os pecuaristas e disseminação correta do conhecimento. O setor privado, principalmente os frigoríficos, ainda são um grande desafio em relação à rastreabilidade da carne. Uma forma de trilhar os empreendimentos de baixo carbono passa pelo cálculo do balanço de carbono das fazendas, relatório de resultados com recomendações de mitigação, verificação, projeto para certificação e mercado de crédito de carbono agrícola.


As práticas de baixo carbono na produção pecuária passam pela recuperação de áreas degradadas, adoção de cultivos integrados, eficiência no uso de fertilizantes e práticas de conservação de solo. As condições necessárias para adotar e escalonar essas práticas dependem de programas de assistência técnica e transferência de tecnologia, P&D e estudos de caso, divulgação de boas práticas agropecuárias, engajamento e conscientização dos atores da cadeia, acesso a crédito, incentivos de mercado e financeiros. Todas essas questões se relacionam com as agendas e políticas públicas nacionais ( NDC do Brasil, Plano Safra, ABC) e internacionais (Acordo de Paris, Koronivia, Compromisso Global de Metano). Vale também considerar a mudança do consumo e da dieta alimentar como possível caminho para a redução de GEE. Uma dieta sem carne emite menos GEE que uma dieta com carne, considerando todo o caminho da carne até chegar ao prato do consumidor.


Após a parte teórica tivemos um momento de tirar dúvidas. Depois fizemos uma dinâmica em grupo para discutir quais as possíveis estratégias prioritárias de ação para alcançar a pecuária de baixo carbono. Após a discussão com os colegas, compartilhamos um pouco do que foi falado nos grupos para os demais participantes e assim fechamos essa aula super rica e incrível!


Até a próxima aula!

Thamyres.


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