Desafios socioambientais para 2026: O que está em jogo e como agir agora
- YCL info
- há 4 dias
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O ano de 2026 se inicia com um alerta crucial para o setor socioambiental: adiar decisões não é mais uma opção. Durante uma aula aberta promovida pela YCL em 26 de fevereiro, três especialistas apresentaram perspectivas complementares sobre as expectativas para os próximos meses e os caminhos que precisam ser reforçados. Isvilaine Conceição, do Observatório do Clima, João Piedrafita, cofundador da Água Camelo, e a professora oceanógrafa Letícia Cotrim, da UERJ e pesquisadora associada ao IPCC, participaram do encontro. A conversa foi estruturada em torno de três questões chave, e as respostas ajudam a compreender a dimensão do desafio.
A primeira questão que guiou a discussão foi: quais são os principais desafios para 2026 em sua área de atuação? Para Isvilaine, o foco principal é manter a questão climática relevante em um ano eleitoral. Segundo ela, ainda é difícil tornar o debate sobre o clima acessível para o dia a dia das pessoas. Tragédias como inundações e deslizamentos atraem atenção momentânea, mas o tema logo perde destaque. O desafio é garantir que o clima esteja presente nas escolhas políticas e nas decisões diárias, inclusive no voto. João ressaltou que, além das eleições, 2026 é um ano pós-COP e de grandes eventos, o que pode levar ao esvaziamento da pauta e dificultar a obtenção de recursos para projetos socioambientais. Ele também mencionou que o saneamento básico sofre com a falsa ideia de que “não rende votos”, por estar “escondido sob a terra”. Letícia, por sua vez, alertou para os cortes e incertezas no financiamento da ciência e da educação, além do avanço de um novo tipo de negacionismo climático, não o que nega o problema, mas o que afirma que “não há mais nada a ser feito”, o que também impede ações.
A segunda questão foi: como cada um em sua frente de trabalho atua hoje para enfrentar esses desafios? No Observatório do Clima, Isvilaine explicou que o trabalho envolve articulação política, produção de dados e mobilização social. A rede reúne mais de 160 organizações em todo o país, atua no Congresso, participa de conferências internacionais e desenvolve ferramentas como o Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SEEG), que permite monitorar as emissões no Brasil. João esclareceu que a Água Camelo surgiu de uma pergunta simples e urgente: como garantir água potável onde o poder público ainda não chegou? A organização desenvolve tecnologias e, principalmente, um modelo de serviço construído com as comunidades, que inclui diagnóstico local, educação, implementação, monitoramento e avaliação de impacto. Atualmente, está presente em centenas de comunidades no Brasil No caso da universidade, Letícia divide sua atuação entre ensino, pesquisa e colaboração internacional, estudando os impactos das mudanças climáticas nos oceanos e contribuindo para a elaboração do próximo relatório do IPCC, que reúne o que há de mais consistente na ciência do clima para orientar decisões globais.
Para concluir, um ponto crucial atravessou toda a discussão: qual a responsabilidade da população frente a essa situação? Os debatedores concordaram nesse ponto. É fundamental um envolvimento constante, uma seleção criteriosa de líderes políticos e a exigência de políticas públicas bem planejadas. Não é suficiente agir apenas quando ocorrem tragédias. É imprescindível monitorar os gastos públicos, defender o investimento em pesquisa e ensino, apoiar projetos da comunidade e cobrar comprometimento com o saneamento, a adaptação e a redução do impacto climático. Como Letícia frisou, o voto é tanto um direito quanto uma obrigação, e a escolha consciente de quem defende nossos princípios impacta diretamente as políticas de meio ambiente.
O aviso final é direto: 2026 não é só um ano qualquer. É um momento crucial para consolidar a pauta socioambiental em meio a embates políticos, problemas financeiros e crises climáticas cada vez mais comuns. O lado bom é que existem grupos organizados, pesquisas gerando dados e ações práticas mudando situações. O que precisamos, agora, é aumentar a participação de todos para que as transformações necessárias deixem de ser apenas palavras e virem realidade.
Saiba mais sobre os palestrantes

Leticia Cotrim
Oceanógrafa e professora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, pesquisadora da Rede Clima e autora do IPCC. Atua com ciência e políticas climáticas em nível nacional e internacional, contribuindo para relatórios que orientam decisões globais sobre o clima.

Isvilaine Conceição
Assessora de mobilização no terceiro setor, com atuação no Observatório do Clima. Tem experiência em articulação de campanhas e fortalecimento da participação coletiva em agendas socioambientais e de justiça climática.

João Piedrafita
Cofundador da Água Camelo, lidera iniciativas de acesso à água potável que já impactaram mais de 150 mil pessoas em 21 estados do Brasil, conectando comunidades, empresas e poder público para ampliar o acesso a um direito básico.
Quer assistir à aula completa?Acesse a íntegra no YouTube da YCL e aprofunde-se na discussão sobre os desafios socioambientais para 2026. https://www.youtube.com/watch?v=eVPcZ1I-aBs&t=105s
Prefere um resumo rápido? Confira os principais cortes da aula no Instagram da YCL
Perspectivas e colocações importantes sobre os desafios climáticos do ano e caminhos para avançar na agenda socioambiental. Confira alguns dos principais pontos levantados pelos palestrantes. https://www.instagram.com/p/DVgQnpPAO5f/?img_index=1
Também discutiram temas como eleições, justiça socioambiental, acesso à água, políticas públicas e pesquisa. https://www.instagram.com/p/DVd4ZgKkWsW/?img_index=1
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Texto escrito por Tássio Vinicius Publicitário e participante da 14ª edição do curso da Youth Climate Leaders – Mudanças Climáticas: panorama, desafios e oportunidades para jovens profissionais. Atua com comunicação de causas, buscando fortalecer iniciativas que geram impacto social e ambiental.
Conecte-se com o autor no LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/tassiovinicius/

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