O mito do progresso na Amazônia: por que a resiliência climática depende da agricultura familiar
- YCL info
- 3 de ago.
- 2 min de leitura

A engenheira agrônoma Ana Ribeiro Tigre analisa como a monocultura sufoca o Sudeste do Pará e aponta os caminhos para um desenvolvimento que preserve a vida e a dignidade no campo.
No horizonte do Sudeste do Pará, a paisagem está mudando. Onde antes existia o mosaico biodiverso de pequenas propriedades e vegetação nativa, hoje avançam as extensas manchas uniformes das monoculturas. Para Ana Ribeiro Tigre, engenheira agrônoma e consultora socioambiental, essa transformação visual esconde uma crise profunda: a promessa de progresso econômico tem deixado para trás as comunidades que realmente sustentam o bioma.
"O progresso não chegou com as monoculturas", afirma Ana. A frase, curta e cortante, resume uma realidade vivida no território: enquanto o PIB agropecuário sobe, as comunidades locais enfrentam maior concentração de terras, perda de autonomia alimentar e exclusão social. Para a fellow da Rede YCL, o desenvolvimento real deve ser medido pela qualidade de vida, pela preservação do patrimônio natural e pela valorização do conhecimento tradicional.
Para os agricultores familiares do Pará, as mudanças climáticas não são projeções para 2050; elas são o presente. Ana relata que períodos de seca mais longos e chuvas em momentos inesperados já desregulam o planejamento da produção e aumentam custos. A monocultura, ao reduzir a diversidade de espécies, torna todo o sistema produtivo mais vulnerável a esses extremos.
A solução para essa vulnerabilidade passa pelo fortalecimento da agricultura familiar, especialmente através dos Sistemas Agroflorestais (SAFs). Ao consorciar árvores com culturas agrícolas, os SAFs recuperam áreas degradadas, conservam a biodiversidade e diversificam a renda do produtor. No entanto, para que esse modelo ganhe escala, Ana defende:
Assistência técnica de qualidade e acesso desburocratizado ao crédito.
Políticas públicas que priorizem a produção sustentável.
Incentivo à comercialização local.
Sua jornada na Rede YCL permitiu conectar os pontos entre a ciência climática global e a prática no campo. "Compreendi que os desafios climáticos precisam ser enfrentados de forma integrada, envolvendo ciência, políticas públicas e comunidades locais", destaca. Essa visão sistêmica é o que permite transformar a angústia diante da crise em ações de adaptação e liderança territorial.
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Texto escrito por Daphne Maria, Jornalista pela Universidade Federal de Alagoas, Diretora Executiva do Olhos Jornalismo e Participante da 14ª edição do curso da Youth Climate Leaders – Mudanças Climáticas: panorama, desafios e oportunidades para jovens profissionais.
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