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Da pesquisa ao território: como Anderson Rocha e Guilherme Dias fortalecem a agenda climática por caminhos diferentes

19 de ago.
4 min de leitura

A crise climática exige profissionais capazes de conectar conhecimento técnico, políticas públicas e realidade dos territórios. Embora atuem em contextos distintos, Anderson Rocha e Guilherme Dias compartilham esse mesmo propósito: utilizar a economia como ferramenta para enfrentar os desafios ambientais e promover um desenvolvimento mais sustentável.


Durante aula do curso sobre mudanças climáticas e carreiras profissionais da Youth Climate Leaders (YCL), ambos apresentaram suas trajetórias, mostrando como a formação em Economia abriu caminhos para trabalhar com mudanças climáticas, desenvolvimento sustentável e construção de políticas públicas. As histórias revelam que não existe um único caminho para atuar pela justiça climática. Pelo contrário: pesquisa, gestão pública, educação e consultoria podem caminhar juntas na busca por soluções.


Quando a economia encontra a Amazônia

Natural de Porto Velho (RO), Anderson Rocha é economista formado pela Universidade Federal de Rondônia (UNIR) e atua na Secretaria de Estado do Desenvolvimento Ambiental de Rondônia. Há cerca de dois anos, dedica sua carreira à economia do clima, trabalhando na captação de recursos para projetos de mitigação e adaptação às mudanças climáticas e na elaboração de iniciativas voltadas à recuperação de áreas degradadas.

Sua aproximação com o tema começou ainda na graduação, quando pesquisou a relação entre desmatamento e produção de soja. Desde então, passou a desenvolver estudos sobre os impactos ambientais das atividades econômicas e a vivenciar, na prática, os desafios da Amazônia.

Ao participar de projetos em comunidades rurais, Anderson percebeu que muitos produtores ainda têm dificuldade de associar ações como o desmatamento aos impactos sentidos na produção agrícola, nos rios e nas nascentes. Para ele, a experiência de campo é essencial para aproximar o conhecimento científico dos saberes locais e compreender a complexidade dos problemas ambientais.

"A vivência de campo aproxima o conhecimento científico dos saberes tradicionais."

Outro tema recorrente em sua atuação é a rastreabilidade da produção agropecuária. Anderson destacou que, apesar da existência de leis e mecanismos de controle, ainda há dificuldades na aplicação efetiva dessas políticas, permitindo que produtos oriundos de áreas irregulares sejam comercializados por meio de estratégias que mascaram sua origem. Para ele, compreender essas fragilidades é fundamental para fortalecer as políticas ambientais e proteger a floresta.

Além da atuação na gestão pública, Anderson também é professor na educação profissional, onde procura aproximar seus alunos das discussões sobre mudanças climáticas e agricultura familiar, mostrando como as decisões tomadas hoje influenciam diretamente o futuro dos territórios amazônicos.


Economia para impulsionar a transição sustentável

Enquanto Anderson desenvolve sua atuação diretamente no território amazônico, Guilherme Dias construiu sua trajetória voltada à pesquisa, ao planejamento e às políticas públicas relacionadas ao desenvolvimento sustentável.

Formado em Economia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Guilherme iniciou sua carreira como pesquisador em desenvolvimento regional, estudando como mudanças na estrutura produtiva dos países podem contribuir tanto para o crescimento econômico quanto para a redução das emissões de gases de efeito estufa.

Durante a graduação, também participou da construção de um índice de desenvolvimento econômico local para municípios brasileiros e colaborou na elaboração do Plano ABDE 2030, documento voltado ao fortalecimento da atuação dos bancos de desenvolvimento em alinhamento aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Essas experiências ampliaram sua compreensão sobre o papel das instituições financeiras na promoção da agenda climática.

Posteriormente, atuou na Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais, acompanhando políticas públicas voltadas à expansão da energia solar, hidrogênio de baixo carbono, biogás e outras fontes renováveis. Seu trabalho também envolvia o apoio a municípios interessados em criar incentivos locais para acelerar a transição energética.

Atualmente, Guilherme integra uma consultoria socioambiental, desenvolvendo projetos para empresas e prefeituras, especialmente na construção de alternativas econômicas para municípios dependentes da mineração. O objetivo é fortalecer economias locais mais resilientes e preparadas para um futuro de baixo carbono.

"Já trabalhei com economia do clima e desenvolvimento sustentável em diferentes contextos."


Diferentes caminhos, um mesmo compromisso

Embora atuem em frentes distintas, Anderson Rocha e Guilherme Dias compartilham uma visão comum: enfrentar a crise climática exige conhecimento técnico aliado à realidade dos territórios.

Enquanto Anderson evidencia os desafios vividos diariamente na Amazônia, mostrando como políticas públicas precisam dialogar com quem está no campo, Guilherme demonstra que planejamento econômico, inovação e financiamento sustentável são peças fundamentais para acelerar a transição climática.

As trajetórias dos dois fellows mostram que construir soluções para os desafios ambientais depende da integração entre pesquisa, gestão pública, desenvolvimento econômico e participação social.

Mais do que carreiras individuais, suas histórias representam uma nova geração de profissionais comprometidos em transformar conhecimento em impacto e contribuir para um futuro mais justo, resiliente e sustentável.


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Texto escrito por Tássio Vinicius - Publicitário e participante da 14ª edição do curso da Youth Climate Leaders – Mudanças Climáticas: panorama, desafios e oportunidades para jovens profissionais. Atua com comunicação de causas, buscando fortalecer iniciativas que geram impacto social e ambiental.

Conecte-se com o autor no LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/tassiovinicius/


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